domingo, 6 de novembro de 2011

Sonho de sexta


Num sonho inesperado de sexta
Eu vi o futuro:
Você cheirando a mentira e eu a ódio,
Você banhado em perfume e eu em lágrimas,
Algumas marcas de tiro na parede
E falência.
Que bela vida o destino nos reserva,
Tudo isso porque eu insisti em permanecer
Ao seu lado mesmo depois de tudo!
Depois de você me dizer que não me ama
Mas que está em minhas mãos sua felicidade,
Depois de você dizer que seu coração de pedra
Esmagaria até mesmo o diabo,
Depois de eu ver em seus olhos vergonhas,
Era um menino mimado fazendo um papel
Que jamais lhe caberia.
Depois de uma catastrófica premunição
Como eu poderia cruzar os braços
E simplesmente ignorar?
Eu não espero as ruínas caírem estando embaixo,
Eu sigo meu caminho e que caiam
Todos os prédios da rua,
Eu não vou olhar para trás, não importa,
Eu não sinto remorsos.  

sexta-feira, 21 de outubro de 2011


Você devorou meu mundo
Embaixo do teu lençol,
Querida você me destrói
Com esses dentes tão afiados
E com essa sua doce voz
Gemendo e gritando ao meu lado
E eu te imploro “não se afaste”.
Um dia você me marcou
Com o ferro quente do teu brasão
E em minha coxa esquerda ficou
A marca do teu ferrão, senhora,
Minha dona que me destrói
Mas reconstrói quando consola
E aos pés da cama vem me acudir,
Vem me aturdir, vem ser pra mim.
E a alça do teu sutiã
Se arrebentou em minas mãos
E a alça do meu coração
Você simplesmente deixou cair.
Querida você me destrói.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Foi o senhor quem implantou
Este maldito vírus no meu corpo
E ele me causou esta sede imensa,
Sinto tanta sede...
Sinto tanto desejo...
Sinto força e sinto ódio.
Desde que senti teu beijo
Eu não sinto mais nada.
Amarra-me, empala-me,
E me ponha de enfeite no teu jardim
O sangue na virgem me regará.
Meu reflexo não aparece mais
Nem por isso estou invisível,
Os anos não me tocam mais o rosto,
O sol também não pode tocá-lo.
Por que me castigou me amando?
Maldiçoou-me libertando-me,
Arrastou-me para a morte
E agora ela não pode me pegar
Mesmo assim temo a estaca,
O alho, a cruz e a água benta.
Nem morto, nem vivo, o que sou?
“Beija-flor” de sangue e amor
Meu Conde e senhor eu suplico:
Amarra-me, empala-me,
E ponha-me em teu castelo de horror
O sangue da virgem me regará.  



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um Corpo


  Você foi meu pai, minha mãe, meu filho,
Meu melhor amigo e minha namorada,
Minha companhia e a causa da solidão.
Você foi o tormento durante o dia
E o amor e a calma durante a noite.
Você foi meu alimento e minha água
Por que me deixou com fome e com sede?
Você foi a loucura e o desespero
O motivo pela qual fugi de casa,
Minhas lembranças e memórias,
Minha alegria infinita e a dor irremediável,
Minha duvida e minha resposta,
Minha liberdade e minha prisão,
Meu cigarro, minha garrafa de rum.
Você foi a história de amor que eu tive
Aquela na qual nunca aconteceu,
Você foi a mentira que acreditei,
O dinheiro que gastei, minha ilusão,
A maior decepção que tive na vida.
Hoje você é um corpo sobre a mesa.

sábado, 1 de outubro de 2011

Colares de perolas e mulheres

Dos meus pulmões sopra uma força
Que ecoa mais forte e mais alto que a minha voz,
Das profundezas do meu útero, do meu pâncreas...
E quando eu não lembro nem mesmo quem sou
É apenas fechar os olhos que a resposta vem
De dentro de mim como um forte vomito
Minha essência, meu liquido biliático.
Movendo-se como um furacão,
Não existem deuses nem demônios,
Não há nada alem de mim aqui dentro,
Tão escuro e sombrio o meu mundo aqui
Onde ninguém pode me alcançar pra me criticar
Pra me ferir ou me tocar,
Eu sou deus. Eu sou lúcifer. Eu sou um pouco mais que isso
Eu sou muito mais que tudo isso,
E não é pretensão ou vaidade.
É a verdade daquilo que eu sou e sinto.
A uma certa distancia do mundo, meus olhos são câmeras
E nada pode me deter de alcançar o que eu quero,
Nunca é frio ou quente demais,
Ninguém é bom ou ruim o bastante.
Num espaço muito maior do que todo o universo
Estrela negra de infinitos particulares,
Colares de perolas e mulheres,
Que sangue e que poder delicioso!
Estrela negra do paraíso escondido,
Sereias, medusas, bruxas, mulheres.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No penhasco


  No alto desse penhasco eu sou a sorte
E nunca se pode saber
Quando a sorte vai mudar,
Hoje se está em cima, amanhã...
No alto desse penhasco eu sou o vento
Beijando a face do suicida,
Abraçando sue corpo e o levando
No longo caminho até embaixo
Assanhando seus cabelos durante a queda.
No alto desse penhasco eu sou a rocha
Que se mantém imutável e confiante,
De onde cai um pedaço todo dia,
O ser que nunca vai tocar o céu.
No alto desse penhasco eu sou a morte
Gritando por sangue fresco,
Implorando por um novo amor
Para compartilhar comigo os mistérios
E por um instante saber o que é
Beijar pela primeira e ultima vez minha boca.
No alto desse penhasco eu sou a vítima
No auge do desespero e da dor,
Misturando-se aos elementos da natureza
Esperando que a gravidade
Me dê o seu melhor.

 
Quando vou pegar sua mão e cantar canções para Você
E talvez você poderá me dizer:
"venha para mim e me ame"
E eu ficaria, com certeza.

Mas eu sinto que estou ficando velho
E a música que eu tenho de cantar
Ecoa distante
Como o som
De um moinho de vento rodando
Acho que sempre serei
Um soldado da sorte"
 
(trecho tradução Soldier of Fortune - Deep Purple)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

atendendo a pedidos: SANTA PUTA

Santa Puta, ela vadia
Deus me livre da boca fria
Que tem aquela mulher.
Lenta e discretamente
Ela como seu fígado
E some no calar da noite.
Santa Rosa, ela belíssima
A vagaba moderníssima
Que mora no vigésimo andar,
Acho que vou me matar...
Como pode ser tão falsa?
E tão bela a mulher de graça
Que desfila, não passa,
Que passa e não olha pra mim.
Santa dança, Madalena
Não sei se Cleópatra ou Helena
Deus me livre do feitiço
Que tem o olhar dela mulher.
Que não olha, atravessa,
Na garganta já começa
A sufocar quem acredita
No canto da serei maldita
Que é minha vizinha o lado,
Toda noite um namorado
Mas não da bola pra mim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Amantes


 
Amantes,
Vocês me incomodam
Com tantas carícias
E beijos angustiados.
As mãos cegas
Tatuam desejos
Em plena rua,
Alcançam as nádegas.
Amantes,
Vocês são nocivos
Com suas línguas ácidas
E olhares impuros
Expelindo desejos
De primitiva origem
Contagiando a todos.
Corpos quentes.
Mentes frias.
Amantes,
Vocês me enojam
Com esse falso amor,
Carne sobre carne,
Antropofagia anunciada.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Acordar


Não me dê suas drogas de acordar
Levantar da cama pra que?
É um mundo fora o meu,
Acordar é estar concordando,
Acordar pra morrer de olhos abertos,
Não se ganha sendo um mártir.
O mundo das coisas poucas:
Migalhas e farelos alimentam nações;
O mundo dos exageros:
Assassinos, estupradores, políticos.
Acordar é deixar que façam
De mim objeto de manipulação,
Acordar pra ver sangrando
Até a ultima gota e morrer
Permanecendo de olhos abertos.
Acordar é cometer meu próprio aborto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011


Me absterço de sua carne
Pelo prato completo de outra,
Não mancharei meu nome
Com um pecado não mortal,
É como sentar num bar e beber
Apenas uma dose de cachaça
Não vale a pena, eu não o farei.
Sentarei no bar e só sairei de lá
Quando um amigo bondoso
Me arrastar e jogar na calçada.
Me abisterço da sua carne
Porque ela pouco me satisfaz,
Esses preparos saldáveis e ligths
Moderados sem pimenta nem sal,
Não cometerei um pecado banal...
Algo que não me condene,
Um pecado capital comum
Desses que todos cometem
E nem mesmo se arrependem.
Quero algo que eu sinta prazer
Em me arrepender e sentir vergonha
E esse pecado eu não vou
Cometer por você nem com você.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Querido

Que pele macia meu bem...
Cubra-me e aqueça-me todas as noites
com este ardor tão saboroso
que tem tua pele de cetim.
Querido namorado,
com você me sinto protejida
com você me sinto aquecida!
Queria tanto te ter sempre ao meu lado
que eu fiz um casaco de pele contigo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

minha doce vadia

Minha doce vadia
Eu te amo tanto...
Eu preciso de uma mulher bonita e selvagem
Pra pensar durante o banho,
Pra por a culpa dos meus fracassos
Pra espancar quando estou bêbado.
Faça meu jantar nua,
Quero ver sua bunda rebolando
Enquanto descasca cebolas e chora,
Eu não vou te dar a vida de princesa que você sonhou
Eu vou te dar o meu cruel amor.
Sorvete de chocolate na sua boca
E sangue em minhas mãos...
Esse blues tão triste diz que você
Vai cansar um dia e vai embora,
Mas eu te digo mordendo tua orelha:
Minha doce vadia eu esmago teus joelhos se der mais um passo!
Eu te amo tanto...
Me faça mais um drink, me faça massagem, me dê um ménage,
Siga o caminho do meu quarto,
Meu coração de gelo você já alcançou
Dizendo loucuras de amor com bafo de café,
Loucuras tão ferozes e pontudas que vão machucar seus ouvidos
E eu vou acariciar seus seios com meus pés
Não tente correr, minha arma está carregada
E repousa embaixo da cama enquanto dançamos.
Seja minha mulher para sempre
Seja meu sol de cada manhã e a escuridão a noite
Eu preciso de uma mulher pra dividir
Todo ódio que eu sinto de mim mesmo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

mais miséria



Meu filho

Eu vi meu filho
Sendo criado por outra mãe,
Segurando seu cobertor marrom
Descalço e sujo pelo chão,
Com o corpo sem carnes
Enquanto um homem
O enxotava de seu leito
Como quem enxotava um cão.
Esse homem era seu pai.
Confesso, eu tive medo
De fazer um carinho no meu filho,
Preferi ficar de longe olhando
O quanto o maltratavam,
Enquanto eu indignada
Pensava comigo: que absurdo!
E segui entristecida
Consciente de que a rua
Pode não ser carinhosa
Mas é melhor mãe do que eu,
Ela não abandona seus filhos.

Miséria


Prostituta

Sozinha na calçada
A prostituta esperava
Mastigando a língua,
Esperando por alguém,
Qualquer um
Que a levasse pra
Qualquer lugar
Pra beber qualquer coisa
Nem que seja
Num lugar barato
Pra lhe pagar uma esmola
Por sua companhia.
Sozinha na calçada
Com a bolsa vazia,
A cara pintada,
A depilação atrasada
E a conta de luz também.
Vestida do modo
Mais vulgar e frio,
O quadril era
O que lhe dava alimento
Enquanto servia
De distração a estranhos.
Quando para um carro
Preto com um cara
Estranho de terno
E ela entrou sorrindo.
Continuou tão sozinha
Como sempre esteve.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Belzebu, tem um diabo reservado pra mim.


Mamãe, acabei de matar um homem
Coloquei uma arma em sua cabeça
Puxei o gatilho, agora ele está morto
Mamãe, a vida acabou de começar

Mas agora eu vou ter que jogar tudo fora
Mamãe, ooo
Não foi minha intenção te fazer chorar
Se eu não estiver de volta a esta hora amanhã

Continue, continue,
Como se nada realmente importasse...
 
de qualquer maneira o vento sopra)
Eu não quero morrer
Às vezes eu desejo nunca ter nascido

domingo, 19 de junho de 2011


Goste de mim com meus defeitos,
Engula-os com minha saliva e se alimente
Dos vícios e demônios que moram dentro de mim
E me engordam de defeitos.
É o que eu tenho pra oferecer
Você seria capaz de gostar de mim assim?
Sem eu te oferecer mentira alguma
Ou mentiras demais...
Goste de mim com minhas falhas e cicatrizes
Tão amargas e horripilantes,
Assustadoras lembranças de guerras ferozes
Com homens cruéis e mulheres ainda piores,
Pois é isso o que eu tenho de melhor
Ou pelo menos pra oferecer pra outro alguém.
Goste de mim ou me deteste
Independente do que você sinta por mim
É isso o que você vai ter, defeitos, erros, cacos,
Pedaços e maldades, destroços e tripas.
Arranca de mim um suspiro torto,
Um comentário mórbido,
Um cuspe e um chute, não dou esmola,
Não sou sensível nem carismática,
Porque eu não farei em hipótese alguma
Aquilo que você gosta pra te seduzir
Aquilo que você quer que eu faça
Só pra você gostar de mim, ou não.
Goste de mim com meus defeitos
Engula-os com meu suor e meu gozo,
Se delicie com eles e me deixe mostrar
Que os defeitos e tragédias
Podem ser tão ou mais
Deliciosos e prazerosos do que o que
Você acha que é bom!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Ela é feita de cabelos e ossos e pequenos dentes
E acho que não posso falar
Ela vem como um brinquedo aleijado
Sua espinha é apenas uma corda
Eu prendo todo nosso amor nessa chapa
Prata firme como pernas de aranha
Eu nunca quis que isso se arruinasse
Mas moscas botarão seus ovos.

Refrão
Jogue seu ódio em mim
Faça da sua vítima a minha cabeça
Você nunca acreditará em mim
Eu sou seu torniquete"
(tourniquete trecho - tradução)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

duas historias



Fantasia anal

Eu projetei na tua cara de plástico
Um sorriso doce e autentico
Porque eu amava teu corpo siliconado
E teu livro de cabeceira (o kamasutra).
Em um CD gravei nosso “the best”
Dentro de um mês você me mostrou o seu pior.
Cobra coral de aluguel, te quis,
Devassa flor de anilina, eu paguei caro.
E foi entre um soco e um beijo
Que desfacelou minha fantasia anal
Você expôs suas vaidades e eu ri
Tamanha era sua vulgaridade
E quão ridículo era o medo
Que me prendia ao teu calcanhar.




Me mata de fome com a tua textura
Tão áspera e infeliz...
Eu quis ser, quis ter, estar noutro lugar.
Eu era tão jovem e tão bonita
Que acabei devorada pela língua desses diabólicos animais.
Sorrisos carmim, eu sou assim: esplendorosa!
Cor de rosa, botequim de madrugada
Eu me casei com um balcão de bar.
Que gosto estranho, ninguém nunca me entendeu,
Mas saibam todos que o melhor marido é o meu
Entorpecido copo frágil...
Me estupra e me domina infiel, ai de mim,
Minha mãe bem que tentou fazer de mim alguém melhor.

domingo, 29 de maio de 2011







seguindo uma linha meio terror..bem classico...personagens queridos ou não. Meus favoritos e um singelo conto para que gosta...




As paredes transpiravam sangue,
O sangue das crianças que morreram naquela casa.
Era o sétimo filho que perdera
Antes mesmo de completar sete anos de idade
E agora tentava acabar com sua vida
Pendurada por uma corda no pescoço.
Se debateu mil vezes e o coração ainda batia,
Seu sangue corria tão quente quanto o de seus filhos,
As paredes da casa pulsavam
Junto ao coração daquela amaldiçoada
Que não conseguiu criar os filhos
E que não conseguia nem mesmo morrer.
Dois dias se passaram,
A casa trancada e escura assustava,
Mas não levantava grandes suspeitas,
Todos naquela pequena cidade sabiam
Das tragédias que ela guardava,
Sua dona quase nunca saía,
Não podiam imaginar que ela estava pendurada
Numa corda na sala de estar
Tão viva quanto a casa...
Que dois dias depois ainda transpirava
O sangue de sete crianças mortas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011


''Ah, minha infeliz, minha desafortunada
E minha pequena, oh, menina triste.
Eu sei que você está infeliz,
Ooh ah, querida, eu sei,
Querida, eu sei, exatamente como você se sente.''
    (trecho tradução - little girl blue, Janis Joplin)

ainda mendigando...


Me ame

Me diz que é só um sonho,
Mas que não vou acordar mais tarde,
Que tua busca por néctar
Não é mera vaidade...
Me ame com a boca cheia de carícias,
Me ame cm a boca cheia de malícias,
Me ame mesmo que chame
O nome de outro ao dormir.
Me diz que o amargo é falso,
Te dou rosas, te dou doces, a bunda,
Te dou agrados, te dou
O que mais você quiser por um amor
Que dure o tempo que você agüentar
O peso do meu corpo.
Me ame cheirando a bicho do mato,
Me ame com as garras e os pelos,
Me ame mesmo sem saber meu nome,
Mesmo que chame o nome de outro ao dormir. 


segunda-feira, 16 de maio de 2011

sobejo






Sobejo

Por uma migalha de pão,
Grandeza não é a questão...
De joelhos por um sobejo,
De joelhos por um sobejo.
Como se de todo o mar
Só fosse preciso uma única gota
Suprindo assim toda a falta
Completando o quebra-cabeça
Como se todo o mar
Não fosse nada sem essa gota.
As sobras do jantar,
Eu sou o cão debaixo da mesa
Deitando e rolando por um nada,
Eu sou um mendigo nas ruas
Que você alimenta com restos,
Pedindo uma dose a outros bêbados.
Faminta e rastejante,
Delirante e mendigando,
Ganindo por um sobejo,
Ganindo por um sobejo.