sexta-feira, 13 de julho de 2012

Boneca Inflável


Fim de tarde e de carreira
Rumo ao México ou ao bar mais próximo.
Uma dose, um cigarro, outra dose
E aquela perca de tempo e de nome.
Tristeza era tão banal que não doida
Anestesia, eu evitava olhar pro céu,
Não podia correr o risco de sonhar.
Sem orações, sem patrões, sem pressa
Por que nada faz diferença
Quando você está sozinho e não vai
Fazer nada por si mesmo. Nem morrer.
Todas as pessoas não são nada
Eu ia ao encontro do arraso
Perdido no tempo-espaço. Ferido. Despedaçado.
Ciente de que era vergonhoso e triste
Estar sempre vivendo o constrangedor momento
De acordar e estar sozinho mesmo quando
Ela estava ao meu lado. Minha boneca inflável.
Me ajudando em alguns momentos
Mas não podia me fazer feliz com aqueles
Terríveis e detestáveis defeitos:
Olhos piscando, pulmões respirando,
Boca falando e coração batendo.

terça-feira, 10 de julho de 2012




"Deixem-nos morrer jovens ou deixem-nos viver eternamente.
Nós não temos o poder, mas nunca dizemos "nunca".
Sentando num fosso de areia, a vida é uma viagem curta.
A música é para os homens tristes..."
 
              (trecho traduzido Forever Young - Alphaville)


Nossa vitrine está mal vista,
Alguém andou espalhando que aquele cigarro
Não vende livremente no mercado...
Alguém deixou escapar
Que agente bebe até vomitar. Calunia!
Nossas roupas estão sujas
Por que preferimos sentar no chão,
E não no colo dos nossos pais,
E nem na rede do nosso país.
Estão falando mal de nós por ai
E acham que vamos nos importar,
Que vamos mudar a conduta
E deixar de ser livre pra ser produto enlatado.
Nós não temos tempo, nós temos fome,
Queremos uma liberdade que não é vista
Mas é sentida em toda a carne.
Sem juros, nem faturas ou pactos,
Todo mundo precisa de muitas coisas
Nós só precisamos viver.



sábado, 7 de julho de 2012


Band-aid



Era desolador ver que tudo o que tinha
De repente não significava nada
Diante de um ser tão cruel.
Ela era magra e grosseira,
Com os cabelos emaranhados
Que prendiam meus pulsos
E assim eu me sentia tão bem.
Era um prazer tão incrível e barato
Que eu acreditei que era eu
Quem não valia nada.
Era como se um band-aid
Curasse todos os machucados.
A convidei pra comer caviar,
Mas ela pediu uma torta de frango.
As pessoas estranharam       
Um homem rico e bonito
Que sempre andou sozinho
Que rejeitou as mais lindas mulheres
Andar por ai fazendo os caprichos
De uma prostituta feia, pobre a barata.
Mas era só ela que eu queria
E quis até o dia em que ela parecia calma
Eu não desconfiei, queria tê-la,
Mas com um golpe por trás da cabeça
Me acertou e em seguida
Partiu meu corpo em pedaços
E os pôs nas caixas dos meus sapatos
E foi embora sem levar nada
Nenhum centavo.

Pessego em Calda


Agora pouco eu caminhava
Descalço em cacos de vidro
Amargurado e cínico
Sorrindo para as pessoas “bom dia”,
Um “bom” que não existia
Estava preso em um estado
Em que a dor parecia eterna.
Foi quando ela atravessou-me
Com a boca entre-aberta,
Os olhos de pêssego em calda
Derramavam algo que era meu,
Mas eu não sabia
Eu bem tentei frear a tempo,
Mas não mudei de sentido.
Queria ir ao seu encontro.
De forma não tão brusca,
Mas eu queria bastante.
Quando desci do carro
Ainda não estava morta,
Me olhou aliviada e quase
Pude ver um sorriso.
Baixinho ela me disse:
“Amigo, muito obrigada.”
E fechou os olhos com alívio.

domingo, 6 de novembro de 2011

Sonho de sexta


Num sonho inesperado de sexta
Eu vi o futuro:
Você cheirando a mentira e eu a ódio,
Você banhado em perfume e eu em lágrimas,
Algumas marcas de tiro na parede
E falência.
Que bela vida o destino nos reserva,
Tudo isso porque eu insisti em permanecer
Ao seu lado mesmo depois de tudo!
Depois de você me dizer que não me ama
Mas que está em minhas mãos sua felicidade,
Depois de você dizer que seu coração de pedra
Esmagaria até mesmo o diabo,
Depois de eu ver em seus olhos vergonhas,
Era um menino mimado fazendo um papel
Que jamais lhe caberia.
Depois de uma catastrófica premunição
Como eu poderia cruzar os braços
E simplesmente ignorar?
Eu não espero as ruínas caírem estando embaixo,
Eu sigo meu caminho e que caiam
Todos os prédios da rua,
Eu não vou olhar para trás, não importa,
Eu não sinto remorsos.