sábado, 7 de julho de 2012


Band-aid



Era desolador ver que tudo o que tinha
De repente não significava nada
Diante de um ser tão cruel.
Ela era magra e grosseira,
Com os cabelos emaranhados
Que prendiam meus pulsos
E assim eu me sentia tão bem.
Era um prazer tão incrível e barato
Que eu acreditei que era eu
Quem não valia nada.
Era como se um band-aid
Curasse todos os machucados.
A convidei pra comer caviar,
Mas ela pediu uma torta de frango.
As pessoas estranharam       
Um homem rico e bonito
Que sempre andou sozinho
Que rejeitou as mais lindas mulheres
Andar por ai fazendo os caprichos
De uma prostituta feia, pobre a barata.
Mas era só ela que eu queria
E quis até o dia em que ela parecia calma
Eu não desconfiei, queria tê-la,
Mas com um golpe por trás da cabeça
Me acertou e em seguida
Partiu meu corpo em pedaços
E os pôs nas caixas dos meus sapatos
E foi embora sem levar nada
Nenhum centavo.

Pessego em Calda


Agora pouco eu caminhava
Descalço em cacos de vidro
Amargurado e cínico
Sorrindo para as pessoas “bom dia”,
Um “bom” que não existia
Estava preso em um estado
Em que a dor parecia eterna.
Foi quando ela atravessou-me
Com a boca entre-aberta,
Os olhos de pêssego em calda
Derramavam algo que era meu,
Mas eu não sabia
Eu bem tentei frear a tempo,
Mas não mudei de sentido.
Queria ir ao seu encontro.
De forma não tão brusca,
Mas eu queria bastante.
Quando desci do carro
Ainda não estava morta,
Me olhou aliviada e quase
Pude ver um sorriso.
Baixinho ela me disse:
“Amigo, muito obrigada.”
E fechou os olhos com alívio.

domingo, 6 de novembro de 2011

Sonho de sexta


Num sonho inesperado de sexta
Eu vi o futuro:
Você cheirando a mentira e eu a ódio,
Você banhado em perfume e eu em lágrimas,
Algumas marcas de tiro na parede
E falência.
Que bela vida o destino nos reserva,
Tudo isso porque eu insisti em permanecer
Ao seu lado mesmo depois de tudo!
Depois de você me dizer que não me ama
Mas que está em minhas mãos sua felicidade,
Depois de você dizer que seu coração de pedra
Esmagaria até mesmo o diabo,
Depois de eu ver em seus olhos vergonhas,
Era um menino mimado fazendo um papel
Que jamais lhe caberia.
Depois de uma catastrófica premunição
Como eu poderia cruzar os braços
E simplesmente ignorar?
Eu não espero as ruínas caírem estando embaixo,
Eu sigo meu caminho e que caiam
Todos os prédios da rua,
Eu não vou olhar para trás, não importa,
Eu não sinto remorsos.  

sexta-feira, 21 de outubro de 2011


Você devorou meu mundo
Embaixo do teu lençol,
Querida você me destrói
Com esses dentes tão afiados
E com essa sua doce voz
Gemendo e gritando ao meu lado
E eu te imploro “não se afaste”.
Um dia você me marcou
Com o ferro quente do teu brasão
E em minha coxa esquerda ficou
A marca do teu ferrão, senhora,
Minha dona que me destrói
Mas reconstrói quando consola
E aos pés da cama vem me acudir,
Vem me aturdir, vem ser pra mim.
E a alça do teu sutiã
Se arrebentou em minas mãos
E a alça do meu coração
Você simplesmente deixou cair.
Querida você me destrói.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Foi o senhor quem implantou
Este maldito vírus no meu corpo
E ele me causou esta sede imensa,
Sinto tanta sede...
Sinto tanto desejo...
Sinto força e sinto ódio.
Desde que senti teu beijo
Eu não sinto mais nada.
Amarra-me, empala-me,
E me ponha de enfeite no teu jardim
O sangue na virgem me regará.
Meu reflexo não aparece mais
Nem por isso estou invisível,
Os anos não me tocam mais o rosto,
O sol também não pode tocá-lo.
Por que me castigou me amando?
Maldiçoou-me libertando-me,
Arrastou-me para a morte
E agora ela não pode me pegar
Mesmo assim temo a estaca,
O alho, a cruz e a água benta.
Nem morto, nem vivo, o que sou?
“Beija-flor” de sangue e amor
Meu Conde e senhor eu suplico:
Amarra-me, empala-me,
E ponha-me em teu castelo de horror
O sangue da virgem me regará.  



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um Corpo


  Você foi meu pai, minha mãe, meu filho,
Meu melhor amigo e minha namorada,
Minha companhia e a causa da solidão.
Você foi o tormento durante o dia
E o amor e a calma durante a noite.
Você foi meu alimento e minha água
Por que me deixou com fome e com sede?
Você foi a loucura e o desespero
O motivo pela qual fugi de casa,
Minhas lembranças e memórias,
Minha alegria infinita e a dor irremediável,
Minha duvida e minha resposta,
Minha liberdade e minha prisão,
Meu cigarro, minha garrafa de rum.
Você foi a história de amor que eu tive
Aquela na qual nunca aconteceu,
Você foi a mentira que acreditei,
O dinheiro que gastei, minha ilusão,
A maior decepção que tive na vida.
Hoje você é um corpo sobre a mesa.