sábado, 1 de outubro de 2011

Colares de perolas e mulheres

Dos meus pulmões sopra uma força
Que ecoa mais forte e mais alto que a minha voz,
Das profundezas do meu útero, do meu pâncreas...
E quando eu não lembro nem mesmo quem sou
É apenas fechar os olhos que a resposta vem
De dentro de mim como um forte vomito
Minha essência, meu liquido biliático.
Movendo-se como um furacão,
Não existem deuses nem demônios,
Não há nada alem de mim aqui dentro,
Tão escuro e sombrio o meu mundo aqui
Onde ninguém pode me alcançar pra me criticar
Pra me ferir ou me tocar,
Eu sou deus. Eu sou lúcifer. Eu sou um pouco mais que isso
Eu sou muito mais que tudo isso,
E não é pretensão ou vaidade.
É a verdade daquilo que eu sou e sinto.
A uma certa distancia do mundo, meus olhos são câmeras
E nada pode me deter de alcançar o que eu quero,
Nunca é frio ou quente demais,
Ninguém é bom ou ruim o bastante.
Num espaço muito maior do que todo o universo
Estrela negra de infinitos particulares,
Colares de perolas e mulheres,
Que sangue e que poder delicioso!
Estrela negra do paraíso escondido,
Sereias, medusas, bruxas, mulheres.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No penhasco


  No alto desse penhasco eu sou a sorte
E nunca se pode saber
Quando a sorte vai mudar,
Hoje se está em cima, amanhã...
No alto desse penhasco eu sou o vento
Beijando a face do suicida,
Abraçando sue corpo e o levando
No longo caminho até embaixo
Assanhando seus cabelos durante a queda.
No alto desse penhasco eu sou a rocha
Que se mantém imutável e confiante,
De onde cai um pedaço todo dia,
O ser que nunca vai tocar o céu.
No alto desse penhasco eu sou a morte
Gritando por sangue fresco,
Implorando por um novo amor
Para compartilhar comigo os mistérios
E por um instante saber o que é
Beijar pela primeira e ultima vez minha boca.
No alto desse penhasco eu sou a vítima
No auge do desespero e da dor,
Misturando-se aos elementos da natureza
Esperando que a gravidade
Me dê o seu melhor.

 
Quando vou pegar sua mão e cantar canções para Você
E talvez você poderá me dizer:
"venha para mim e me ame"
E eu ficaria, com certeza.

Mas eu sinto que estou ficando velho
E a música que eu tenho de cantar
Ecoa distante
Como o som
De um moinho de vento rodando
Acho que sempre serei
Um soldado da sorte"
 
(trecho tradução Soldier of Fortune - Deep Purple)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

atendendo a pedidos: SANTA PUTA

Santa Puta, ela vadia
Deus me livre da boca fria
Que tem aquela mulher.
Lenta e discretamente
Ela como seu fígado
E some no calar da noite.
Santa Rosa, ela belíssima
A vagaba moderníssima
Que mora no vigésimo andar,
Acho que vou me matar...
Como pode ser tão falsa?
E tão bela a mulher de graça
Que desfila, não passa,
Que passa e não olha pra mim.
Santa dança, Madalena
Não sei se Cleópatra ou Helena
Deus me livre do feitiço
Que tem o olhar dela mulher.
Que não olha, atravessa,
Na garganta já começa
A sufocar quem acredita
No canto da serei maldita
Que é minha vizinha o lado,
Toda noite um namorado
Mas não da bola pra mim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Amantes


 
Amantes,
Vocês me incomodam
Com tantas carícias
E beijos angustiados.
As mãos cegas
Tatuam desejos
Em plena rua,
Alcançam as nádegas.
Amantes,
Vocês são nocivos
Com suas línguas ácidas
E olhares impuros
Expelindo desejos
De primitiva origem
Contagiando a todos.
Corpos quentes.
Mentes frias.
Amantes,
Vocês me enojam
Com esse falso amor,
Carne sobre carne,
Antropofagia anunciada.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Acordar


Não me dê suas drogas de acordar
Levantar da cama pra que?
É um mundo fora o meu,
Acordar é estar concordando,
Acordar pra morrer de olhos abertos,
Não se ganha sendo um mártir.
O mundo das coisas poucas:
Migalhas e farelos alimentam nações;
O mundo dos exageros:
Assassinos, estupradores, políticos.
Acordar é deixar que façam
De mim objeto de manipulação,
Acordar pra ver sangrando
Até a ultima gota e morrer
Permanecendo de olhos abertos.
Acordar é cometer meu próprio aborto.